a vida é feita de poucas certezas e muitos dar-se um jeito.

 "A vida é feita de poucas certezas e muitos dar-se um jeito", Guimarães Rosa

Gênio. 

O resumo da minha vida, e provavelmente de muitas outras pessoas também.

Meu ano de 2025 começou com essa frase. E junto com essa frase inúmeras reflexões que têm sido devidamente discutidas em terapia. 

Meu mês de dezembro de 2024 foi um caos. Demandas extras no trabalho que surgiram de última hora e nem pertenciam ao meu departamento (que assumi sozinha a partir do início do mês); Muitas horas extras; Um grande caos sobre a viagem de final de ano; Intoxicação alimentar no último final de semana do ano que além de me deixar de cama, me fez ir ao hospital 2x e me trouxe como banquete de revéillon chá com bolacha maisena, e como única companhia na virada meu cachorro, o Dengo (que - btw - foi a melhor cia que eu poderia ter). Mas sim, deu tudo certo. Muitos "dar-se um jeito" surgiram no meio do caminho. 

Apesar desse caos externo, o recesso me trouxe "tempo". Essa pausa de quase 2 semanas, me permitiu olhar para dentro e refletir sobre o meu emocional, que por vezes, também é caótico. 

É muito engraçado olhar as coisas que eu escrevia aqui antigamente, porque eu absolutamente mudei de opinião em muitas coisas. As experiências de vida, definitivamente, estão ligadas diretamente à nossa maturidade. Uma das coisas que esse tempo de reflexão me permitiu, atrelado à maturidade e o autoconhecimento que todo esse conjunto me trouxe, é que eu *não me respeito.*

Eu realmente tenho muita dificuldade em me respeitar. Estou sempre com pressa para tudo, embora não tenha sido precoce em nada. Essa dificuldade em me respeitar reverbera em tanta coisa que eu não me dava conta... E o pior de tudo, é o óbvio: se você não se respeita, ninguém vai te respeitar. 

Tive burnout em 2021: não respeitei os meus limites e fui fazendo, fazendo, fazendo... até que não consegui mais fazer por uma questão de saúde.

Todas as vezes que eu saía com algum cara em date, me sentia na obrigação de beijar o cara. Não me respeitava porque mesmo que eu não quisesse, eu fazia.

Casei com um cara que me humilhou de forma tão bizarra, na minha cara, sem disfarces. E continuei nessa relação por muito tempo ainda porque "precisava fazer dar certo". Por questão religiosa? Por questão de sociedade? Não tenho essa resposta. Mas sei que não me respeitei. 

Esse final de ano caótico - em especial no trabalho - me fez entender que já sei o problema, agora preciso trabalhar na solução. Não quero um novo burnout. Então não vou abraçar demandas como se realmente fosse humano dar conta de tudo sozinha. 

Mais pessoalmente falando, também estava conhecendo melhor uma pessoa que parece ser incrível, me respeita, me trata como uma rainha. E sei que mereço, e sei que é uma relação assim, de parceria, que almejo. Mas a real é que ainda não estou me sentindo confortável com essa pessoa. Entendi que estava me forçando a ficar com alguém pelo fato de essa pessoa ser muito legal. Mas preciso do meu tempo. Estou divorciada há apenas 4 meses e *preciso* respeitar o meu tempo. 

Chega de pressa. 

Não tenho a certeza se vou ficar muito tempo nesse trabalho. Não tenho a certeza se, futuramente, quando eu estiver mais confortável, terei outra chance com esse cara legal. Mas quer saber? Eu vou dar um jeito. Como sempre dei. E sempre funcionou. 

With Love, 

happyingreek



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