fez carnaval aqui dentro.

 Às vezes eu me perguntava se era só eu que demorava tanto para me recuperar de uma dor de amor. Óbvio que a resposta é não. Mas a minha média de recuperação é cerca de 1 ano. Estou falando de relacionamento mesmo, de conhecer a família, frequentar a casa, viajar, fazer planos em algum momento.

Eu desisti do meu casamento em dezembro de 2023. Mas tudo acabou em definitivo mesmo só em junho de 2024, com meu divórcio saindo finalmente em setembro de 2024. Durante todo esse processo, eu pensei e repensei diversas vezes tudo o que tinha acontecido, do início ao fim. 

O "início do fim" do casamento foi em março de 2022. Eu demorei quase 2 anos para sair dessa relação, e quando finalmente saí, era como se minha mente e o medo de ficar sozinha de novo, de não ter mais a oportunidade de ter alguém como parceiro - (detalhe: meu ex-marido nunca tinha sido um parceiro de verdade, era quando era conveniente para ele) - dominasse completamente o meu estado de espírito. Eu não conseguia muito sair de casa para me divertir ou ver pessoas, o meu foco se voltou completamente para o trabalho, mas sentir constantemente o medo e a angústia por estar sozinha novamente foram muito difíceis de superar. 

No entanto, seguindo o grande clichê que é essa vida: passou. 

Semanas antes do carnaval, saí para jantar com uma pessoa. Ficar horas conversando, sem notar o tempo passar, sentir prazer ao beijar aquela pessoa e não lembrar, nem por 1 minuto do meu ex, e isso por dias, foi perceber a grande virada de chave que aconteceu durante todo esse processo de cura, de mais de 1 ano. Mas sabe quando eu me senti leve mesmo? Feliz de verdade? No carnaval. 

Eu nunca fui a pessoa mais carnavalesca da face da terra. Crescer numa fé religiosa cristã tem dessas: meus carnavais eram dedicados a retiros espirituais, missas e o que quer que estivesse acontecendo na igreja. Isso mudou radicalmente depois de anos, já que passei a não mais praticar a religião católica, ainda acreditando em Deus e em muita coisa que a minha base me ensinou. Mas a mistura de política com religião, inclusive de ouvir pessoas muito religiosas discordando com a maior autoridade católica, apostólica, romana, o Papa (Francisco), por ter uma mão mais progressista, me fez realmente recuar de professar uma religião com tantos "fiéis" que agem exatamente na oposição do que Jesus faria. 

E assim eu passei a frequentar todos os bloquinhos de carnaval da minha cidade, e de outras. 

Agora em 2025 não foi diferente. Eu não ia a um bloquinho para me divertir de verdade desde 2020. Passaram-se 5 anos e a animação da cidade e dos foliões continua a mesma. Eu definitivamente não sou a mesma. Mas estar ali no meio de tantos olhares, de tantos sorrisos, de tanta festa e alegria, renovou o meu espírito. Não foi ficar com um ou dois ou três caras lindos que me fez acreditar na minha cura (mas definitivamente ajudou). Mas perceber meu coração alegre novamente, no meio dos meus amigos, das músicas baianas, das pessoas com pouca roupa e muita vontade de aproveitar a vida naqueles 4 dias, me fez entender que eu voltei à mim mesma. 

Escrever isso me dá arrepios. Me emociona. Eu sei que voltar à mim mesma também traz alguns pontos de atenção, seja pela carência que bate forte às vezes, seja pelas dúvidas borbulhantes na minha cabeça sobre ~quase~ tudo na vida... Ainda assim, a minha sede por viver o amanhã, por descobrir cada memória que ainda está por vir, com cada pessoa que ainda vai chegar, me traz a energia necessária para continuar em frente. 

Afinal, já dizia Charles Bukowski: "não há nada que ensine mais do que se reorganizar depois de um fracasso e seguir em frente".

Pronta para o amanhã eu sigo. 

With Love, 

happyingreek

Comentários

Postagens mais visitadas